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domingo, 10 de outubro de 2010

"Prémio Azulado"

O Cartas a Si foi agraciado com um prémio pelo blogue Tons de Azul. Quando puderem passem por lá, é um blogue muito interessante, vale a pena conhecer.

Este foi o poema premiado:

Amo-te
ainda que o não saiba
para além do fulgor dos beijos
no roçar das palavras
pelos lábios sedentos

Amo-te
em cada curva
em cada traço
atravessando o espaço

Amo-te
na desproporção
dos corpos
deitados na tela

Amo-te
na tinta dos sonhos
que ainda não ousamos pintar

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A NEGRA LUANA

Luana era filha da noite
da cor do café
de carnes rijas
com travo a canela
Luana era da cubata
a negra mais bela
Luana trazia tempestades
no olhar
e mangas maduras
nos lábios
que só apeteciam beijar
Luana caminhava de peito nu
e farto como a lua cheia
com a convicção
de quem conhece
todos os trilhos do mundo
Luana sorria
e era um céu estrelado
negra mais linda
não havia em nenhum lado

Giko, Queen of the River
óleo, 24" x 29.5"

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


Quem sou eu?
Tango vagabundo
preso nas franjas
da vida

A minha pátria
é o coração
em que morro

Hoje
naufrago
no passo
ausente
de
ti

Olhar triste
que adormece
longe

O amanhã
é um poema
inacabado                                        Imagem retirada do sítio: http://fabianperez.com/

terça-feira, 27 de outubro de 2009


Há que ler o poema
antes de matar o poeta
adormecer o dogma
ouvir outro profeta
Há que deixar um mundo cair
para se voltar a erguer
derrubar muros
abrir fronteiras
A palavra não é una
é tão somente
aquilo que queiras

sábado, 6 de junho de 2009

SINAIS

Há quem procure sinais
que não existem

Há quem os ignore
dependurados
de uma parede
de uma barra metálica

Rua sem saída
Sentido proibido
Trânsito proibido

A confusão do poeta
instala-se
Outras vozes
invadem o texto

A panela ao lume
sozinha

O sinal indica
lado nenhum

O poeta tenta expulsar
as outras vozes

A panela ao lume
sozinha

domingo, 22 de março de 2009

INACABADO

Era domingo.
O menino da ria sorria.
Tu tentavas prender-me
entre um pensamento
e outro, porque não sabias
que sou uma gaivota que
voa
e uma gaivota não se prende.

A tarde nascia dormente
entre uma maré e outra
e no silêncio da sombra
a minha imaginação,
qual barco dando a proa
à onda, corria.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

VELHO LOBO DO MAR


Obs.: Para uma melhor leitura carregar na imagem para a ver no tamanho original.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Fêmea


Para todos os amantes de poesia e em especial para o Sr. Artur Gonçalves, mais um poema da minha autoria:

A fêmea move-se
felina, réptil, pássaro
há nela qualquer coisa
que remonta
à criação do mundo
Ela estende-se, ondula,
vasta, imensa
toda ela curvas
Ela é o sol e a neblina,
escurece, ilumina
O seu corpo
é
labirinto, bosque, mata

Fêmea é fogo
Fêmea é glaciar
Fêmea é... na complexidade
de existir, simplesmente fêmea.


Nicoletta Tomas Watercolour / Paper 32x46 cm.
Private collection

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Amizade










Imagem: http://www.ginaalves.kit.net/Abracos/abraco.jpg

Correndo o risco de me chamarem de lamechas ou de dizerem que estes versos não têm qualidade poética, deixo aqui este poema, que dedico a todos os meus amigos que estão a passar por momentos difíceis. Amo-vos muito.

Se te pudesse
abraçar
a dor
se ao menos a pudesse embalar, adormecer
se bastasse soprar
para limpar
o cinzento do teu céu
dar-lhe alguma cor
se um beijo bastasse
para acalmar
a bravura desse mar
que te teima
em escorrer pela face
se a minha mão
te impedisse de cair

tudo faria
para te ajudar
a sorrir

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

sexta-feira, 16 de maio de 2008

POEMA-PARTILHA II

Olho e vejo
Sou sensível
Toca-me a indiferença
No caminho há estranheza
Atravesso uma passadeira
De leveza e transparência
Respiro pérolas de luz
Setas que atravessam
O mundo é mais doce
Uma pérola
De águas simples

Cartas a Si & Maria João Viegas

POEMA-PARTILHA I

Árvores com ramos
ramos sem folhas
magnólias, amendoeiras em flor
flores, florinhas
pétalas
pétalas a voar com a brisa
mar
folhas caídas
uma ponta de nuvem
imagem de um mundo verde
distante
cada palavra escutada
cada palavra pensada
orvalho
luz
mar
calor

Cartas a Si & Ângela

quarta-feira, 7 de maio de 2008


(Imagem de www.olhares.com)










Solidão
eu sei o teu nome
sei onde moras
os caminhos que trilhas
os rostos em que te escondes

Solidão
eu conheço o teu corpo
feito de mágoa
a tristeza dos teus olhos
a frieza com que feres

Solidão
eu sei que só tu visitas
quando não há ninguém ao lado
quando já ninguém bate à porta
quando o canário canta silêncio
e os passos das crianças
já não correm pela casa

Solidão
só tu ocupas todos os espaços
quando o sol já não entra
já não aquece
e o vento já não move
as cortinas

Solidão
só tu sabes a palavra
que foi o meu nome
porque já ninguém me chama
já ninguém me escuta
já ninguém me escreve

Solidão
só tu estás
para ver
os meus olhos
fechar...

domingo, 16 de março de 2008

António Aleixo

Que me perdoem os eruditos, todos aqueles que não gostam de poesia popular e que a consideram um género menor, mas hoje acordei com vontade de fazer uma homenagem ao meu amigo Aleixo, que é talvez o poeta algarvio mais conhecido, até mesmo entre o povo iletrado.


domingo, 24 de fevereiro de 2008



Um cheiro de fêmea
exala do teu corpo
mulher
Quem te vê
assim adormecida
não imagina
quantas dores do mundo
tu já pariste
No teu corpo
marcados, vincados
os caminhos
que trilhas todos os dias

MATISSE
Odalisque. 1923. Oil on canvas.
Stedelijk Museum, Amsterdam, Netherlands.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Às vezes uma gaivota pára no seu voo
e observa a asa que lhe pende
como se a asa não fosse sua

Tem dores de existir.

E penas
que são mastros
que tecem rotas na seda azul
que é o mar
que se fez céu

A gaivota abraça a noite
como se fora sempre a primeira vez
e prende-lhe as estrelas
no cabelo em desalinho

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


Sinto a tua falta!
Como um gato
que passa por mim
no corredor
ronronando o seu silêncio.
Não fala. Apenas mostra
que está lá.
A sua carícia
é uma brisa fugidia -
- um gato não sabe
o que são vendavais,
semelhante à tempestade
só os relâmpagos que lhe
atravessam os olhos de súbito.
Não há entrega. Apenas breves
momentos de partilha.
Um gato ama a solidão
debaixo dos raios de sol,
que embora ardentes
não lhe fazem dilatar
os sonhos.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

FLOR DO OÁSIS

Tocou-a
um vento sem nome
um rio sem nascente

ávido da doçura do deserto que eram
os seus olhos

Acariciou-lhe
todas as dunas do seu corpo
toda a seda do seu desejo

sequioso do perfume a rosas a desabrochar que brotava
dos seus lábios

Sentiram
a frescura de todos os oásis
a frescura do silêncio interrompido

domingo, 10 de fevereiro de 2008

ALGARVE (POEMA-HISTÓRIA)

Contam as histórias
que um príncipe mouro encantado
por uma princesa eslava
que lavada em lágrimas chorava
pelo frio do norte
pela sua sorte
como fazer nevar não podia
mandou plantar um dia
o Algarve de amendoeiras
"Meu amor, para te ver sorrir
dou-te a brancura da neve,
dou-te tudo o que queiras!"