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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Remember Me

 Há filmes que nos dizem mais do que outros, este tocou-me especialmente. 

Não sou grande fã do Robert Pattinson (que me perdoem as meninas que são fãs dele e da saga Twilight), mas até gostei do seu desempenho neste filme. Acho que trabalhou bem o seu papel e conseguiu dar á personagem a profundidade que se pretendia. tenho pena que não abordassem a personagem do polícia que perdeu a esposa de outra forma, acho que o papel que tem no desenvolvimento da história merecia outro cuidado na sua construção.

Em resumo, é um filme sobre os laços de família e afecto, sobre a perda de alguém que nos é querido e as feridas que essa perda deixa em nós, a maneira como cada um reaje à dor da perda e consegue seguir em frente.

Não é um filme para se ver de ânimo leve, coloca muitas questões e mexe bastante com os nossos sentimentos, principalmente os de quem já viveu uma história semelhante, mas é um filme que recomendo.

Imagem retirada de: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/thumb/0/08/Remember_Me.jpg/220px-Remember_Me.jpg

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

"Sempre tive a sensação de pertencer a outro lugar. Estranhava as palavras com que me falavam e achava esquisito as pessoas não ouvirem o que eu ouvia. Na escola, no liceu, na faculdade, a sensação de não ser daqui inquietava-me. Aprendi uma maneira de me comportar que não era minha, um idioma que não coincidia com o meu, emoções que me não provocavam qualquer eco interior. No fundo da minha alma estava de visita e cabia-me, por necessidade e educação, adoptar os hábitos nativos, que se me afiguravam complicados e inúteis. Ainda hoje me surpreende as pessoas julgarem que não tenho sotaque e não é à língua que me refiro, é a tudo o resto. Falo pouco, participo pouco e não faço vida social: passo jantares inteiros em silêncio, perco-me nas ruas, não acerto com um itinerário para amostra [...]"

As palavras não são minhas, são de António Lobo Antunes, mas bem podiam ser. Ninguém descreveu melhor até hoje este sentimento de inquietação que sempre me acompanhou, esta sensação de pertencer a outro sítio que não aquele em que me encontro.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Sorriso de Palhaço


Todos os dias tenho de sorrir para tantas pessoas e sem que nenhuma delas se importe se o meu sorriso é mesmo a expressão do que sinto.

Às vezes sorrir torna-se uma tarefa hercúlea.

E se não sorrimos, é por antipatia, não é por termos uma dor de alma que nos impede de mover os músculos faciais.

Talvez por isso, nunca gostei de palhaços. Nunca gostei do seu sorriso falso, sob a tinta incrustada na pele, a tentar ocultar a lágrima retida no canto do olho.

O palhaço ri, mas ninguém se importa se ele sorri.