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domingo, 27 de novembro de 2011

Silêncio! Que se vai cantar o Fado.

 
QUE DEUS ME PERDOE

Se a minh’alma fechada se pudesse mostrar
E o que eu sofro calada se pudesse contar
Toda a gente veria quanto sou desgraçada
Quanto finjo alegria, quanto choro a cantar

Que Deus me perdoe se é crime ou pecado
Mas eu sou assim, fugindo ao fado fugia de mim
Cantando dou brado e nada me dói
Se é pois um pecado ter amor ao fado
Que Deus me perdoe

Quando canto, não penso no que a vida é de má
Nem sequer me pertenço, nem o mal se me dá
Chego a crer na verdade e a sonhar, sonho imenso
Que tudo é felicidade e tristeza não há

Letra: Silva Tavares
Música: Frederico Valério

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Em'Cantado

Encantada estou eu com o som da flauta de bambu do Rão Kyao, que me acompanha desde criança. Este novo disco é simplesmente sublime. É maravilhoso ouvir a conjugação dos diferentes instrumentos e da voz dos fadistas com a flauta. Deixo-vos aqui uma das músicas do álbum Em'Cantado, poema de Rosa Lobato Faria, voz de Ricardo Ribeiro:

domingo, 9 de maio de 2010

Fala da mulher sozinha

Nas minhas andanças pela internet encontrei este fado, tão bem interpretado pela Raquel Tavares. O poema é-me familiar, mas não me consigo recordar do nome do autor, se alguém souber, por favor deixe-me a indicação. (A minha amiga do blog Meia Lua de Sabão, a quem agradeço, ajudou-me a identificar o autor. Segundo a informação disponível nos arquivos da RTP, o poema é da autoria de Eduardo Olímpio, foi originalmente cantado pela Simone de Oliveira e o Paco Bandeira voltou a pegar nele num dos seus trabalhos).



Já estou farta de estar só
Acompanhada de nada
Já estou louca de ser rua
Tão corrida, tão pisada...
Já estou prenhe de amizade
Tão barriga de saudade

Ai eu ainda um dia irei rasgar a solidão
E nela entrelaçar
O olhar duma canção
Chegar ao cume, ao cimo, ao alto
Mais longe e mais além
Mas a saber que sou alguém

Na cidade sou loucura
Sou begónia, sou ciúme
Eu que sonhava ser rua
Caminho, atalho, lonjura
Não tenho assento na festa
Sou a migalha que resta

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Balanço

Chegado o último dia do ano é normal fazermos um balanço.

Este foi sem dúvida um ano muito cansativo, disso não há dúvidas. Foi um ano de muita dor, doença e luta, tanto para mim como para a minha família e amigos. Quero agradecer a todos os amigos pelo apoio incondicional, por aturarem a minha rabujice e pela enorme ajuda que sempre me dão. Estão no meu coração e no meu pensamento todos os dias.

Esperemos que 2010 seja bem melhor para todos. Que Deus nos abençoe.

Contudo, neste final de ano tive um miminho, o grande Jorge Fernando editou um novo disco, o que não me poderia deixar mais feliz. Ninguém canta o que sinto como ele, ninguém entende melhor a minha tristeza, deixo-vos aqui o poema dele com que mais me identifico:

VIDA


Porque é longa a minha sede
Trago a alma insaciada
Uma voz sem tom nem tempo
Age oculta p'la calada


Sou a solidão do tempo
Quando o nevoeiro serra
Sou a estranha flor ao vento
No esquecimento da terra


Porque é longa a minha sede
Busco a fonte desejada
Como a voz sem tom nem tempo
Que se oculta em mim calada


Num intenso gesto de alma sou
Esta pena de me achar tão só
Tanto e tão pouco
Ai vida, ai vida...