Hoje sinto-me nostálgica e acabei por recordar muita coisa da infância.
Nunca fui pessoa de ter ídolos, mas pessoas a quem admiro pelo seu trabalho, pela sua dedicação aos outros. Aos sete anos uma das pessoas que mais admirava era o Rudolf Nureyev, um dos maiores bailarinos de sempre, ficava completamente fascinada a vê-lo dançar. Deixo-vos aqui umas imagens dele num registo um pouco mais descontraído
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domingo, 27 de setembro de 2009
quarta-feira, 4 de março de 2009
Cadernos da Infância I
Lembro-me de minha avó, num tempo que não era tempo, numa noite iluminada de pirilampos, o som da pedra contra pedra dilacerando o milho.
Da cozinha vinha aquele cheiro mágico de um incenso único, o eucalipto e a esteva a ficarem rubros na lareira e sobre eles o tacho de cobre, negro como a noite que os pirilampos iluminavam, onde ondeava o xarém, que não me alimentava tanto quanto as suas histórias.
À porta de casa a rosa mosqueta, perfumando os dias agrestes, tão branca quanto a imaculada cal que tingia as paredes de taipa. No interior, a cal ganhava cor, confundia-se com o fumo, era cor-de-vinho, amarelo torrado e tinha um cheiro e sabor como o de frutos que já não há.
As videiras sobre a janela e os narcisos em frente davam-lhe um ar de tragédia grega.
Ainda lá estão as pedras da calçada, que foram ganhando forma sob os nossos passos e onde tantas vezes foi derramado sal (seria do mar ou das nossas lágrimas?) para impedir as ervas de crescer.
Tudo lá está, apenas nós não.
Da cozinha vinha aquele cheiro mágico de um incenso único, o eucalipto e a esteva a ficarem rubros na lareira e sobre eles o tacho de cobre, negro como a noite que os pirilampos iluminavam, onde ondeava o xarém, que não me alimentava tanto quanto as suas histórias.
À porta de casa a rosa mosqueta, perfumando os dias agrestes, tão branca quanto a imaculada cal que tingia as paredes de taipa. No interior, a cal ganhava cor, confundia-se com o fumo, era cor-de-vinho, amarelo torrado e tinha um cheiro e sabor como o de frutos que já não há.
As videiras sobre a janela e os narcisos em frente davam-lhe um ar de tragédia grega.
Ainda lá estão as pedras da calçada, que foram ganhando forma sob os nossos passos e onde tantas vezes foi derramado sal (seria do mar ou das nossas lágrimas?) para impedir as ervas de crescer.
Tudo lá está, apenas nós não.
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