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segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia

Hoje, Dia Mundial da Poesia e Dia Mundial da Árvore, deixo-vos com um poema de um autor que muito estimo. De As Mãos e Os Frutos:

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha,
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do próprio coração.


Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
a brancura das palavras maduras
ou o medo de perder quem me perdia.


Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até sentir
o meu sangue jorrar nas próprias fontes.


Eugénio de Andrade

quinta-feira, 4 de março de 2010

Espera

Quem me conhece sabe do meu imenso amor pelas palavras de Eugénio de Andrade, aqui as vos deixo:


ESPERA
 
Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.


Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

Eugénio de Andrade       













Nicoletta Tomas, "And it's so fragile"
Acrylic
Canvas 20x40 cm 

terça-feira, 10 de junho de 2008

Dia de Portugal

Neste dia como não podia deixar de ser tinha de colocar aqui umas palavras do amigo Camões

Pode um desejo imenso
Arder no peito tanto [...]

Luís Vaz de Camões


e do meu "Géninho"

XXVII. O ANJO DE PEDRA

Tinha os olhos abertos mas não via.
O corpo todo era saudade
de alguém que o modelara e não sabia
que o tocara de maio e claridade.

Parava o seu gesto onde pára tudo:
no limiar das coisas por saber
- e ficara surdo e cego e mudo
para que tudo fosse grave no seu ser.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

S. Valentim

Esta é uma daquelas datas que nada me diz. Para aqueles que a gostam de celebrar aqui fica um pequeno mimo.

IMPROVISO NA MADRUGADA


Húmido de beijos e de lágrimas,
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.


(Vontade de ser barco ou de cantar.)

Eugénio de Andrade



Jean-Jacques PRADIER, dit James -
Genève, 1790 - Bougival, 1852

Satyre et Bacchante
Daté 1834
© Musée du Louvre/P. Philibert