"Just turn around the letters of the word dog, and what did you have? The truth, that's what. (...) If God had sent his son down to earth in the form of a man, why shouldn't an angel come down to earth in the form of a dog?"
Paul Auster
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Tempo
Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.
Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!
Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!
Miguel Torga in Cântico do Homem
Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.
Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!
Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!
Miguel Torga in Cântico do Homem
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domingo, 22 de março de 2009
Dia Mundial da Poesia
Uma amiga mostrou-me que eu estava em falta, sendo uma apreciadora de poesia deixei passar o dia comemorativo em branco. Para me redimir desta falta deixo-vos um poema que adoro e que já há muitos anos não ouvia, mas na sexta-feira passada tive o prazer de ouvir pela voz de Tânia Silva com música de Afonso Dias, na Biblioteca Municipal de Loulé:
OS VERSOS QUE TE FIZ
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolências de veludos caros,
São como sedas brancas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos para te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre mais linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Florbela Espanca
OS VERSOS QUE TE FIZ
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolências de veludos caros,
São como sedas brancas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos para te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre mais linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Florbela Espanca
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