Tempo
Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.
Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!
Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!
Miguel Torga in Cântico do Homem
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Esperar...
Esta semana, muitos foram os que abordaram este tema comigo.
Falava-se do tempo que passamos no nosso local de trabalho, longe da família e dos amigos, até que alguém me perguntou: "não tem ninguém à sua espera?". Fiquei a reflectir. Não passo muito tempo no trabalho por não ter ninguém à minha espera, de facto, o tempo que passo no trabalho faz-me sempre ter muita gente à minha espera.
Tudo isto me levou a pensar, desculpem o pleonasmo, que não devo fazer esperar tanto quem me espera.
Imagem: http://www.essentialart.com/ta/Salvador_Dali_Explosion.jpg
Falava-se do tempo que passamos no nosso local de trabalho, longe da família e dos amigos, até que alguém me perguntou: "não tem ninguém à sua espera?". Fiquei a reflectir. Não passo muito tempo no trabalho por não ter ninguém à minha espera, de facto, o tempo que passo no trabalho faz-me sempre ter muita gente à minha espera.
Tudo isto me levou a pensar, desculpem o pleonasmo, que não devo fazer esperar tanto quem me espera.
Imagem: http://www.essentialart.com/ta/Salvador_Dali_Explosion.jpg
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Cadernos da Infância II
A horta do meu avô era um arco-íris de mil cores, morangos rubros, laranjas com sabor a sol, havia sempre alguma coisa deliciosa.
Todos os dias se ouvia o som da sua enxada contra a terra, tão sincronizado como o tic tac do relógio de parede lá de casa.
O meu avô já não lhe dá corda. Mas, o relógio, mesmo de corda partida, ainda vai batendo as horas.
Todos os dias se ouvia o som da sua enxada contra a terra, tão sincronizado como o tic tac do relógio de parede lá de casa.
O meu avô já não lhe dá corda. Mas, o relógio, mesmo de corda partida, ainda vai batendo as horas.
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