sábado, 27 de dezembro de 2008


VERDE

El hombre del pueblo describió las hojas como de color verde laguna. Al evocarlas en su novela, el escritor las definió “verde esmeralda”. Cuando se hizo la película basada en aquella historia, el director pidió que los actores que aparecían bajo el árbol vistiesen ropa que combinara con el verde Hawai de las hojas. Los trabajadores que de madrugada recogieron los decorados, malhumorados y somnolientos, las veían verde oscuro. Ya nadie se acuerda de aquello, pero el árbol permanece en su sitio. Ha visto engrosar la corteza y creció algunos centímetros. Aferrado sin mérito al suelo, recibe agradecido la lluvia, se balancea con la ventisca y da sombra a quien se le acerca. No sabe que inspiró un libro o que ha aparecido en el cine. De ser un hombre diríamos que es de esa clase de sabios que ignoran los adjetivos que nombran cada verde que posee.


VERDE


O homem do povo descreveu as folhas como sendo verde-água.

Ao evocá-las no seu romance, o escritor as definiu verde-esmeralda.

Quando se fez o filme baseado naquela história, o realizador pediu

aos actores que apareciam debaixo da árvore

para que vestissem roupas a condizer com o verde-hawai das folhas.

Os trabalhadores que retiravam os cenários, mal-humorados

e sonolentos, viam-nas verde-escuro.

Já ninguém se lembra dela, mas a árvore permanece no seu sítio.

Viu engrossar a sua cortiça e cresceu alguns centímetros.

Presa sem mérito ao solo recebe agradecida a chuva, balança

com o temporal e dá sombra a quem se aproxima.

Não sabe que inspirou um livro ou que apareceu num filme.

Se fosse um homem diríamos que é dessa espécie de sábios

que ignoram os adjectivos que qualificam cada verde que vêem.


Rafael Camarasa, in El Sitio Justo/O sítio justo, edição bilingue. Tradução de Tiago Nené.


Nota: original retirado de http://propositosdeunpez.blogspot.com; tradução retirada de http://casadospoetas.blogs.sapo.pt/


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Fêmea


Para todos os amantes de poesia e em especial para o Sr. Artur Gonçalves, mais um poema da minha autoria:

A fêmea move-se
felina, réptil, pássaro
há nela qualquer coisa
que remonta
à criação do mundo
Ela estende-se, ondula,
vasta, imensa
toda ela curvas
Ela é o sol e a neblina,
escurece, ilumina
O seu corpo
é
labirinto, bosque, mata

Fêmea é fogo
Fêmea é glaciar
Fêmea é... na complexidade
de existir, simplesmente fêmea.


Nicoletta Tomas Watercolour / Paper 32x46 cm.
Private collection

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

"Chorarei meu triste fado..."


Hoje levei uma grande mulher pela primeira vez ao cinema, ver um filme de outra grande mulher. Pois é, hoje levei a minha mamã ao cinema. Fomos ver o filme que estreou sobre a Amália. Recomendo-o a todos, está muito bonito. Parabéns à actriz que fez o papel de Amália, que belo desempenho.

domingo, 7 de dezembro de 2008

O teu abraço...

Nicolleta Tomas "Lovers 110" Acrylic / Canvas 50x50 cm.Private Collection

No ordinary Love

(...)This is no ordinary love
No ordinary Love
This is no ordinary love
No ordinary Love
When you came my way
You brightened every day
With your sweet smile(...)
SADE