sexta-feira, 16 de maio de 2008

POEMA-PARTILHA II

Olho e vejo
Sou sensível
Toca-me a indiferença
No caminho há estranheza
Atravesso uma passadeira
De leveza e transparência
Respiro pérolas de luz
Setas que atravessam
O mundo é mais doce
Uma pérola
De águas simples

Cartas a Si & Maria João Viegas

POEMA-PARTILHA I

Árvores com ramos
ramos sem folhas
magnólias, amendoeiras em flor
flores, florinhas
pétalas
pétalas a voar com a brisa
mar
folhas caídas
uma ponta de nuvem
imagem de um mundo verde
distante
cada palavra escutada
cada palavra pensada
orvalho
luz
mar
calor

Cartas a Si & Ângela
Parabéns à Biblioteca Municipal de Loulé pela oficina Massagem Poética e por todas as actividades que tem vindo a desenvolver. É um prazer fazer parte dos vossos leitores. Resultado da oficina foram os poemas que se seguem.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

My Blueberry Nights

A nossa história não é romântica, nem tem tarte de mirtilos com gelado, mas tem gelado de avelã, siricaia com ameixa de Elvas e morangos com sabor a demora.

Obrigada por existires, pela tua enorme amizade, por aguentares com os "filmes lamechas" da minha vida, por me limpares as lágrimas e partilhares as gargalhadas.

Muito obrigada.

sábado, 10 de maio de 2008









(http://famouspoetsandpoems.com/poets/stephane_mallarme)


Fotografia de Mallarmé

é uma foto
premeditada
como um crime

basta
reparar no arranjo
das roupas os cabelos
a barba tudo
adrede preparado
- um gesto e a manta
equilibrada sobre
os ombros
cairá - e
especialmente a mão
com a caneta
detida
acima da
folha em branco: tudo
é espera
da eternidade

sabe-se:
após o clique
a cena se desfez
na rue de Rome a vida voltou
a fluir imperfeita
mas
isso a foto não
captou que a foto
é a pose a suspensão
do tempo
agora
meras manchas
no papel rastro

mas eis que
teu olhar
encontra o dele
(Mallarmé) que
ali
do fundo
da morte
olha

Ferreira Gullar

quarta-feira, 7 de maio de 2008


(Imagem de www.olhares.com)










Solidão
eu sei o teu nome
sei onde moras
os caminhos que trilhas
os rostos em que te escondes

Solidão
eu conheço o teu corpo
feito de mágoa
a tristeza dos teus olhos
a frieza com que feres

Solidão
eu sei que só tu visitas
quando não há ninguém ao lado
quando já ninguém bate à porta
quando o canário canta silêncio
e os passos das crianças
já não correm pela casa

Solidão
só tu ocupas todos os espaços
quando o sol já não entra
já não aquece
e o vento já não move
as cortinas

Solidão
só tu sabes a palavra
que foi o meu nome
porque já ninguém me chama
já ninguém me escuta
já ninguém me escreve

Solidão
só tu estás
para ver
os meus olhos
fechar...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Bela Adormecida


Imagem retirada daqui.

Esqueçam a fada má e o príncipe, o que eu quero mesmo é dormir.